Ocean Summit 2026: Fiec Sedia Evento Global para Impulsionar a Economia do Mar e a Inovação Tecnológica no Ceará
FORTALEZA – A Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), realizou nos dias 08 e 09 de junho, o Ocean Summit 2026, evento que reuniu toda a cadeia produtiva da chamada Economia Azul — ou Economia do Mar —, conceito que abrange as atividades econômicas dedicadas à extração, exploração e preservação sustentável das riquezas marinhas, estendendo-se desde a pesca de alta profundidade até a geração de energia eólica e a exploração de petróleo.
O evento de vanguarda foi promovido pelo Observatório da Indústria — braço tecnológico da Fiec — em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), também integrante do Sistema Fiec. O encontro atraiu um público qualificado composto por empresários, investidores, executivos, pesquisadores, professores e estudantes universitários, contando ainda com rodadas de negócios estruturadas para conectar investidores a donos de empresas focadas no desenvolvimento sustentável do mar.
O “Petróleo Sustentável”: O Potencial Bilionário das Algas Marinhas
A abertura oficial do Ocean Summit 2026 foi marcada pela conferência do empresário e cientista belga Gunter Pauli, criador da expressão “Economia Azul”. Segundo Pauli, as profundezas oceânicas serão as grandes fornecedoras dos novos medicamentos, insumos químicos e soluções de construção para a sociedade do futuro.
O cientista relembrou suas diretrizes compartilhadas originalmente com a comitiva empresarial da Fiec durante uma missão internacional a Portugal, apontando um mercado altamente lucrativo e ainda subexplorado:
”Quem quiser ficar rico, muito rico, deve investir na produção e no beneficiamento industrial de algas marinhas. O Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de costa, tem tudo para produzir em larga escala essas algas e seus valiosíssimos subprodutos. As algas são tão valiosas quanto o petróleo, com uma vantagem: integram a Economia Azul, ou seja, são uma atividade 100% sustentável e mil vezes lucrativa.”
Desafios Estruturais e a Virada Tecnológica no Ceará
Atualmente, a Economia Azul é responsável por empregar mais de 4 mil pessoas no Ceará. Contudo, dados históricos do Observatório da Indústria apontavam que esse contingente e o faturamento do setor poderiam ser significativamente maiores se houvesse uma orientação produtiva integrada.
O setor pesqueiro cearense, por exemplo, enfrentava uma severa carência de inserção tecnológica, operando de forma extensiva com processos manuais tanto na extração quanto no beneficiamento de pescados. A falta de capacitação técnica também impedia que os trabalhadores locais atendessem às rígidas normas sanitárias e de sustentabilidade exigidas por órgãos nacionais e internacionais.
Desde então, o Ceará tem avançado de forma consistente na exploração de seus 600 quilômetros de litoral. Liderados pela Fiec, os investimentos privados e públicos expandiram-se com foco no turismo e na captura e beneficiamento de pescados de alta qualidade, consolidando o estado como o maior exportador de lagosta do país e um fornecedor estratégico de peixes como atum e pargo para os mercados americano e asiático.
O Plano de Ação da Fiec para a Economia do Mar
Para acelerar essa transição e superar as barreiras impostas pela globalização, o Observatório da Indústria desenvolve um programa robusto de incentivo e apoio à Economia Azul. O projeto está estruturado em seis metas estratégicas claras:
- Automação de Processos: Incorporar tecnologia e automação na cadeia produtiva pesqueira, eliminando gargalos manuais.
- Transformação Digital: Induzir a digitalização e o uso de dados em empresas de aquicultura.
- Inteligência de Dados: Estruturar bases de dados sólidas e de alta qualidade sobre as potencialidades do setor para subsidiar o planejamento estratégico.
- Disseminação de Conhecimento: Promover eventos de grande porte para debater a importância e o potencial econômico da Economia do Mar.
- Adequação Legal: Adaptar e modernizar as embarcações pesqueiras locais às legislações ambientais e marítimas vigentes.
- Certificação Internacional: Promover ações que possibilitem a conquista de selos e certificações internacionais para a atividade de pesca no Ceará, abrindo as portas dos mercados globais mais exigentes.
Um Mercado em Expansão Global
A necessidade dessas ações é referendada por estudos de mercado de escala global. Levantamentos da consultoria PwC apontam que quase todas as atividades ligadas à economia do mar registram crescimento acelerado. Entre os principais destaques globais em expansão estão a movimentação anual de contêineres (alta de 26,77%), a extração de gás natural (17,65%), a produção de moluscos como camarão, ostras e mexilhões (10,14%), a movimentação de navios (9,29%) e a produção anual da aquicultura (8,86%).
O Elo Institucional com o Hub CTN
Para os fundos globais e corporações que buscam capitalizar sobre o potencial do litoral cearense — seja em parques eólicos offshore, biotecnologia marinha ou logística portuária —, o Hub CTN e a Agência Global de Desenvolvimento oferecem o suporte técnico, dados econômicos consolidados e assessoria de inteligência para viabilizar parcerias de longo prazo no vértice do Atlântico Sul.

